Sem palavras
27 de Abril de 2008
Vivíssimo! Apenas estive imerso em um mar de aulas… Assistindo ou preparando… O lugar onde estou tem provocado insights e idéias aos borbotões. Tenho estado junto a colegas que constantemente me provocam e motivam. A tal ponto que — e esta é uma prerrogativa de doutorando que ainda não está escrevendo — estou quase certo de uma mudança de tema: de alimento para a importância epistêmica do lugar.
Um primeiro resultado dos esforços do trabalho em grupo do semestre que acabou de acabar: um artigo meu sobre alimentos foi aprovado para o Grupo de Trabalho sobre Teoria Ambiental no III Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação de Pesquisa em Ambiente & Sociedade (ANPPAS). O título é “Humanos, não-humanos, e tudo aquilo que você puder comer”. Em breve (quando o artigo estiver pronto…;), disponibilizo um link para ele.
Estou iniciando o ano com uma alteração no servidor de blog que utilizo. A maior deficiência do Blogger está relacionada com os tags. Por esta razão mudei o blog para o servidor do WordPress. Ele ainda é menos bem equipado do que o Blogger, mas está sempre adicionando novas funcionalidades. Espero que funcione como eu quero.
Uma das ferramentas mais interessantes da chamada Web 2.0 são os wikis. Baseados na idéia de que a maior parte dos textos escritos pode ser compreendido como uma tarefa de parceria, os wikis buscam facilitar esta “escrita cooperativa”. qualquer pessoa cadastrada pode interferir, modificar, ampliar, comentar e inserir material naquilo que está sendo escrito. Ele pode ser uma ferramenta poderosa para auxiliar na redação de uma tese, por exemplo.
Por enquanto, o wiki da minha tese está sendo montado em Retratos da Vizinhança, mas o acesso não é público.
Por que no sistema PBwiki (”Peanut Butter” wiki, geléia de amendoim, ou pão com manteiga, ou algo simples…;)? Porque é fácil de utilizar, tem instruções em português, possui as ferramentas adequadas para a tarefa (simples, eficiente e rápido), fornece espaço em disco suficiente para qualquer tarefa, está sempre sendo atualizado, e é gratuito. Vale a pena tentar.
Detalhe: a tradução das instruções para o português é minha…
Hoje passei o dia tentando criar uma nuvem de tags (uma tagcloud) para facilitar o acesso às minhas mensagens. Foi possível sentir a dificuldade de lidar com tecnologias ainda em fase embrionária. Elas estão associadas ao que se chama “Web 2.0″ e dependem de algoritmos ainda não tão bem desenvolvidos. De qualquer maneira, deu pra sentir o gostinho da “web semântica” e daquilo que, em futuro próximo, será possível fazer em termos de compartilhamento de conhecimento.
Encontrei um site que junta vários doutorandos. Uma espécie de agregador de memórias. O endereço é:
http://www.phdweblogs.net/index.php
A grande descoberta da semana: os textos de Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo brasileiro. Uma indicação de Bruno Latour, que faz referência a Viveiros em sua resposta ao artigo de Beck publicado em Common Knowledge.
A maneira de tratar a questão do perspectivismo, aproximando humano e não-humanos, é altamente estimulante. Estou em busca de outros textos. Encomendei o livro dele, A Inconstância da Alma Selvagem.
Um trecho de Michel Serres (1980, Le Parasite, Paris: Hachette) que está relacionado com a apresentação da linha de Epistemologia Ambiental:
Diable ou Bon Dieu? Exclusion, inclusion? Je ne sais. Mais je sais, en tout cas, ces questions archaïques. Les luttes à deux ne sont jamais que théâtre: apparence, représentation, décor, morale, amusements. Dès que nous sommes deux, déjà nous sommes trois, ou quatre. Nous n’avons appris depuis très longetemps. Le dialogue pour réussir, demande un tiers exclu, notre logique aussi le requiert. Peut-être exigent-ils aussi un quart inclus. Cette leçon ne cesse plus, elle partout écrite. Saint George en face du dragon fait le fort contra sou contrefort, tous deux son associés de fait pour couper en morceaux les corps qui croulent sous l’arche stable de leur pont. Ces logiques à deux, ces batailles à deux, ces dialectiques ne servent qu’aux affiches, aux vignettes, à la montre, à la publicité de ceux qui s’y montrent. Le loup et l’agneau, seuls, chacun sur une rive, peuplent leur espace de chiens, de bergers, de familles, de rois. (‘Logique du flou’, p. 106)